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Por quê criar um laboratório dentro de uma universidade com o tema políticas públicas participativas?

Por Dalton Martins. Criada em 12/03/15 18:39. Atualizada em 12/03/15 19:24.

O post discute a visão e a motivação de um laboratório com o foco do L3P, resgatando seus princípios, objetivos e sua própria razão de ser.

Uma pergunta que cabe na criação de um projeto como este laboratório é a própria questão do sentido de sua existência: por quê criar um laboratório com foco em políticas públicas participativas no âmbito de uma universidade pública e, sobretudo, com a visão a que esse laboratório se propõe?

A academia é, sem dúvida, um espaço de grandes contradições e nuances que merecem ser olhadas com o devido cuidado para evitar reduzir uma crítica bem construída a uma ou duas dimensões do problema apenas. Mas há, para além das contradições um aspecto fundamental que merece ser colocado em evidência e que ajuda a explicar muito dos motivos de criação deste laboratório: o tempo das coisas relacionadas à pesquisa e ao ambiente institucional que a universidade permite para a realização deste trabalho.

Vivemos um tempo, e já faz um tanto de tempo, onde experiências de participação social, de produção e ativação de redes sociais, de experimentação com novos meios de comunicação e tecnologia vêm sendo a tônica de muitos projetos e pesquisas na área das políticas públicas em várias áreas de atuação. No entanto, muitas dessas experiências carecem de documentação, análise crítica e reflexão de seus processos de constituição e, o que é mais grave ainda, dos resultados que efetivamente geraram e o que eles representam enquanto possibilidades de produção de novos conhecimentos e avanço em novas etapas de experimentação que partam daquilo já conhecido para novas formas de fazer ainda não testadas.

Refletir, criticar e documentar são trabalhos e que raramente são reconhecidos enquanto etapas a serem realizadas quando da constituição de cronogramas, orçamentos e processos de trabalho em muitos projetos sociais, culturais e tecnológicos nessa área. O foco em geral é centrado nos produtos a serem entregues, nos serviços a serem realizados e nos relatórios técnicos de prestação de contas a serem produzidos. As bordas do tempo sobram para o tipo de crítica que estamos nos propondo a fazer por aqui.

Além disso, algo que é fundamental colocar também em evidência na construção dessa experiência, é a própria dificuldade de reconhecimento, de formação e de experiência das pessoas, coletivos e instituições atuantes em projetos nessa área da necessidade de pararem para refletir, para discutir seus processos de trabalho, para conhecer outras experiências, aprender novas formas de fazer e construir formas de avaliação de seu trabalho que lhes permita aferir se estão alcançando aquilo que imaginaram, que se organizaram para produzir e que talvez possam estar longe dos resultados que poderiam chegar.

Esse trabalho, a produção crítica de um olhar para essas experiências, envolve tempo, envolve a produção de novas metodologias, envolve um tipo de trabalho que busca expandir os horizontes daquilo que conhecemos, que procura alargar as possibilidades daquilo que pensamos e que se propõe a inventar novas formas ainda não experimentadas. Mais uma vez, isso necessita de tempo, dedicação e a construção de um tipo de olhar que o cotidiano do trabalho intenso, exigente e técnico muitas vezes torna impossível de se realizar.

É aqui que entra a universidade como um espaço institucional que possui características fundamentais para a construção de espaço e desse tempo: infraestrutura, mecanismos de financiamento desse tipo de trabalho e, sobretudo, a possibilidade contínua de produzir processos de formação que procurem dar substância e consistência a construção desse pensamento crítico.

O tempo da pesquisa é outro tempo. Se é pesquisa de fato, não se trata de serviço, de entrega de processos consolidados e que já se sabe que resultados podem gerar. Se é pesquisa de fato nos encontramos no domínio da experimentação, do inusitado, do imponderável e daquilo que ainda não se conhece. Nos encontramos na angústia e na abertura de experimentar. Nos encontramos na possibilidade de construir o próprio caminho a trilhar.

A produção do L3P e seu foco em políticas públicas participativas se deve a esses fatores mencionados acima. A participação social é uma área interdisciplinar, envolve várias áreas de conhecimento e a produção de seu próprio espaço. É algo que precisa ainda ser experimentando, recombinado, inventado, testado em múltiplas frentes e que necessita de formas de documentação, de análise crítica, de embasamento e de consistência para se apoiar em discursos que se baseiem não em hipóteses metafísicas de como imaginamos que as coisas poderiam ser, mas que se baseiem em experiências vividas, em histórias contadas e em práticas testadas.

É com essa intenção e procurando construir esse caminho que aqui nos apresentamos, construimos nosso jeito de fazer e afirmamos uma forma de pensar.

Sigamos, que há muito a aprender e um diálogo intenso a alargar a potência do que podemos produzir! Que venham as experiências!

 

Categorias : l3p acervos

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