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British Library

Viagem de prospecção - Diálogos Setoriais - Ministério da Cultura - trecho Inglaterra

Por Dalton Martins. Criada em 08/04/16 11:01. Atualizada em 09/04/16 06:35.

Registro, comentários e algumas análises da viagem pelo projeto Diálogos Setoriais envolvendo Ministério da Cultura do Brasil, a UFG, e algumas instituições em Portugal, Inglaterra e Holanda. Aqui trago comentários a respeito do trecho da viagem na Inglaterra.

A viagem se encerra em Lisboa e viemos para um dia intenso em Londres, onde ficaríamos menos de 24 horas, mas teríamos um encontro estratégico na British Library. Inicio o relato por esse trecho da viagem:

  1. British Library:
    1. Fomos recebidos na BL pela diretora da biblioteca, que saudou a equipe do MinC e UFG, nos levando para uma reunião com 3 representantes da BL com foco específico nas soluções de digitalização, TI e curadoria digital;
    2. Alguns números da biblioteca: eles possuem hoje mais de 115 milhões de itens (o que é realmente impressionante);
    3. Desde 2013 estão coletando conteúdo físico e digital do UK e compartilham conteúdo com mais 6 repositórios oficiais ao longo do UK. Ou seja, possuem uma estrutura de redundância de conteúdo de mais 6 pontos ao longo da ilha. A BL coleta e compartilha conteúdo desses 6 centros;
      1. Além disso, estão fazendo um trabalho muito interessante de coletar conteúdos web (sites e de mídias sociais) que consideram estratégicos para preservação, memória e análise ao longo do país. Coletam o conteúdo completo de sites de instituições, perfis de políticos e artistas no Twitter, Facebook, entre outros conteúdos para formar uma base de dados para apoio a pesquisa com esses conteúdos;
        1. a limitação dessa estratégia, o que justificam por questões legais, é que não coletam a interação dos usuários, apenas o texto completo publicado nesses perfis. Se foram compartilhados, por quem, curtidos, etc... isso não coletam;
        2. ainda não fizeram um projeto de analytics sobre esses dados;
      2. coletam aproximadamente 70 terabytes/ano;
      3. procuram coletar superficialmente praticamente todos os websites domínios .uk e escolhem aqueles que vão se aprofundar e coletar o conteúdo completo: a escolha se deve a interesses estratégicos, políticos, culturais e educacionais;
      4. por questões de direitos autorais, só dão acesso a essa coleta mais detalhada fisicamente na BL e apenas a 6 pessoas por vez simultaneamente;
      5. se demonstraram muito preocupados e interessados em como lidar com conteúdos que nasceram já digitais. Entendem que isso significa uma enorme oportunidade para criar uma infra-estrutura informacional de inovação e conhecimento que pode gerar muitos frutos positivos para o país. Para isso, estão iniciando ações com aquilo que consideram mais fácil para o momento: a coleta de e-books. As perguntas que têm se feito são:
        1. como lidar com conteúdo nascido digitalmente?
        2. como escalar o trabalho de digitalização?
        3. como garantir e construir uma infra-estrutura para dar escala a esse trabalho?
        4. esse trabalho envolve: seleção de conteúdo, custos, curadoria e direitos.
    4. possuem várias iniciativas de digitalização: já digitalizaram mais de 14 milhões de páginas de jornais, sendo que possuem em torno de 700 milhões de páginas no seu acervo;
    5. possuem um programa chamado Digital Content Management e um documento bem interessante que compartilha qual a estratégia de digitalização da BL. O documento traz um conjunto de indicadores que usam para mensurar a estratégia, bem como um conjunto descritivo de riscos que visualizam como importantes de serem considerados para a construção de estratégias nessa área. INTERESSANTE como fonte de informação para nosso trabalho;
    6. possuem um conjunto grande de workflows para automatizar o trabalho de digitalização: linha de produção de equipamentos, softwares e pessoas trabalhando juntas para ampliar a escala e garantir maior produtividade;
    7. sugeriram um padrão internacional (IIIF - Information Interoperability Imagem Framework) para como lidar com imagens. INTERESSANTE para dar uma olhada e estudar. O framework é um bom exemplo de orientação de como abrir conteúdo digital. Integra a possibilidade de juntar objetos digitais de diferentes fontes/coleções e organizar para apresentar em conjunto;
    8. estão trabalhando numa forma de captar e arquivar o áudio de mais de 700 estações de rádio que existem em UK;
    9. possuem um time de TI relativamente modesto (12 pessoas), mas chegam a ter 50 trabalhando por projetos e consultores;
    10. reportam que estão com dificuldade entrar no mundo do bigdata, analytics, visualização e outras tendências que fazem parte do que consiste o mundo da gestão da informação contemporâneo, devido ao fato de entenderem que possuem um time pequeno para o tamanho da tarefa;
    11. segue aqui os serviços de dados que ofertam livremente pela biblioteca. IMPORTANTE destacar que nessa página aparecem os padrões de metadados e padrões semânticos que estão utilizando para descrever os objetos digitais que compartilham. Padrões de referência importante de nos basearmos;
    12. um outro ponto forte da conversa e, por sinal, MUITO INTERESSANTE, diz respeito a um estudo que BL realizou (em parceria com a Oxford Economics, um serviço de consultoria de Oxford para análise econômica de organizações, projetos e ações em geral) no ano de 2013 sobre o impacto econômico em bens tangíveis e não-tangíveis da existência da biblioteca e dos serviços que ela oferece. Além do estudo servir como uma referência metodológica para estudos semelhantes (pense na possibilidade de fazer uma avaliação do impacto econômico de uma biblioteca municipal, universitária, um centro cultural, uma biblioteca digital e por aí vai...), ele também oferece um parâmetro interessante de comparação econômica: para cada 1libra investida na biblioteca, ela retorna em torno de 5 libras para a economia. Dado bem interessante para explorar em maiores detalhes. 
    13. Na sequência, iniciamos uma conversa com Aquiles Brayner, um brasileiro que está trabalhando e responsável pelo BL Labs. Essa foi, sem dúvida, uma das melhores partes da conversa e muito conectada com interesses que temos no laboratório e no sentido público que gera o modelo conceitual tecnológico do projeto Tainacan. Seguem abaixo alguns pontos da conversa e da experiência do lab que vale a pena ressaltar:
      1. o foco do laboratório é criar experiências de reuso da informação gerada pelas bases de dados da BL e por todo seu processo de digitalização e abertura de dados em formato aberto;
      2. o laboratório desenvolve prêmios, eventos e diferentes tipos de formação para incentivar as pessoas a usarem os dados da BL como fonte de informação para suas experimentações e processos criativos. O foco da estratégia está em valorizar os dados de cultura como fonte de inovação;
      3. promovem bolsas a prazos maiores que eventos para financiar o desenvolvimento de pesquisas de mais largo fôlego;
      4. utilizam diversas ferramentas interessantes de visualização e análise de dados;
      5. promovem serviços de consultoria interna a BL para a formação de funcionários em técnicas analíticas e novas formas de prestação de serviços com os próprios dados e fontes de informação da BL;
      6. formam os atendentes da sala de leitura em serviços de análise de dados para poderem ensinar aos usuários da biblioteca como podem tirar melhor proveito dos serviços que ela oferece. Por exemplo: ensinam como georeferenciar dados, como fazer análises com softwares de visualização, como tratar os metadados produtos da pesquisa. Essa conversa em específico traz uma série de reflexões sobre a necessidade de modernização do ensino e dos serviços que cabem ao profissional bibliotecário no séc. XXI. Bem interessante.
      7. há um bom material de apresentações que utilizam para sensibilizar as pessoas e mostrar o que fazem disponível no slideshare. Vale conferir.
      8. possuem um blog para divulgar e acompanhar as ações do lab.

Categorias : Tainacan Minc Relato l3p humanidadesdigitais

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